DO INFERNO AO PARAÍSO: A DANTESCA JURISDIÇÃO CONTENCIOSA (1ª PARTE - PRINCÍPIOS)
CANTO II
O Aluno, perdido numa jurisdição escura, erra nela durante toda
a lição. Saindo com a alvorada de Código em riste, começava a folheá-lo,
tateando periclitantemente cada página, cada artigo e cada título, quando lhe
atravessam a passagem uma pantera – qual querela doutrinária -, um leão – qual incongruência
jurisprudencial - e uma loba – qual ensejo revisionista -, que o repelem para a
escura jurisdição. Aparece-lhe, então, a imagem de Vasco, que o reanima de um
só sopro de boa-fé e se oferece a tirá-lo de lá, fazendo-o passar pelo Inferno
e pelo Purgatório. A Reforma, depois, o guiará ao Paraíso. O Aluno o segue.
Do nosso curso, a meio da aventura,
Acordei na jurisdição tenebrosa,
Tendo perdido a verdadeira candura.
Candura essa qual era? Missão penosa,
Desta louca espessura a alteridade,
Que a memória a tenha inda desditosa.
Na Leito há pouco mais de languidez;
Mas para bem narrar o dardejado
De outras cousas que vi, não farei mudez.
Fera da desdita candura que perdi,
Tolheu meus passos como joio:
Óssea estrutura dos princípios senti
Que chamava por mim, alta e roucamente,
Na imensidão da Administração
Um som etéreo toava sensualmente
Galanteando nos medrantes poros
Que não mais fazem do que medrar
Medrando pelos céus, como Hórus.
Edifício sem barra ou fundição,
Edifício fechado e desmembrado
Edifício de barro e vil papelão
Assim me sentia na negra selva
De uma jurisdição nova mas velha
Onde palpava rocha e não relva.
Na senda dos princípios parti enfim,
Erraticamente sob o véu do alvor,
Mas sem mapa, norte, Deus ou afim.
Quando Caronte já corria a inundar-me,
Alguém forte de voz enxerguei limpo,
Que após largo silêncio vem falar-me.
(Cont.)
Aluno: Pedro da Palma Gonçalves
Número: 1401114032
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